Liderança na Gestão Jurídica: Mais do que Metas, o Poder de Fazer Pessoas se Sentirem Vistas

Por Consuelo Prates

Ao longo da minha trajetória, aprendi muitas lições: a urgência de decisões rápidas, a pressão das metas e a necessidade de priorizar o essencial.
Mas existe um aprendizado que se destaca: a verdadeira liderança transforma quando faz as pessoas se sentirem vistas e reconhecidas.


Liderança é conexão, não apenas resultado

Na gestão jurídica, é comum acreditar que liderar é apenas manter processos em ordem e garantir eficiência técnica. Mas será que é só isso?

Peter Drucker já dizia:

“A tarefa da liderança é elevar as pessoas a uma visão mais elevada, o desempenho a um padrão mais alto, e construir uma personalidade além de suas limitações normais.”

Isso significa que resultados importam, sim, mas conexão humana sustenta a entrega no longo prazo.

📌 Exemplo real: em um time de contencioso, advogados juniores tinham receio de propor soluções inovadoras em reuniões. Ao criar um espaço de “rodada de insights”, em que nenhuma ideia era descartada, percebi que a equipe ganhou confiança para arriscar. O resultado foi a criação de teses diferenciadas que reduziram custos de clientes em mais de 20%.

👉 E você? Tem oferecido espaço para que seu time arrisque e se sinta parte da construção?


Reconhecimento que fortalece

Reconhecimento não é bajulação, é reforço positivo que molda a cultura de um time. Pequenos gestos constroem vínculos poderosos:

  • Valorizar a clareza de um parecer jurídico bem fundamentado.
  • Aplaudir a coragem de um estagiário em sustentar um argumento em reunião.
  • Destacar a dedicação de alguém que conciliou prazo apertado com qualidade técnica.

Um estudo da Deloitte mostra que empresas com cultura de reconhecimento têm 31% menos rotatividade e 41% mais produtividade.

📌 Exemplo jurídico: em um departamento de compliance, implementamos uma prática simples: ao final das reuniões, cada integrante agradecia a contribuição de outro colega. Esse hábito reduziu conflitos internos e fortaleceu a colaboração em análises de risco.

👉 Como você tem reconhecido o esforço do seu time além dos resultados finais?


Escutar e observar: o que diferencia líderes

Simon Sinek costuma dizer:

“Os grandes líderes não são aqueles que têm todas as respostas, mas os que fazem as melhores perguntas.”

Perguntas simples podem mudar a relação com o time:

  • “O que posso fazer para que você brilhe aqui?”
  • “O que você vê que eu não percebi?”
  • “O que você mudaria na equipe hoje?”

Mas ouvir vai além das palavras. É preciso observar o não dito: o silêncio em uma reunião, a queda de energia de alguém produtivo, o isolamento de quem antes participava ativamente.

📌 Exemplo prático: certa vez, percebi que uma advogada sênior estava menos participativa. Ao chamá-la para uma conversa individual, descobri que enfrentava problemas familiares. Com um ajuste temporário na carga de trabalho, ela se reequilibrou e voltou a ser uma das líderes técnicas mais fortes da equipe.

👉 Você já parou para notar o que seus liderados não estão dizendo em palavras?


A gestão jurídica com olhar humano

No universo jurídico, onde prazos e técnica são inegociáveis, pode parecer difícil trazer leveza e humanidade. Mas como lembrava Warren Bennis, referência em liderança:

“Os líderes são pessoas que sabem ouvir e, ao ouvir, dão significado às experiências de quem lideram.”

Reconhecer que o analista financeiro pode estar sobrecarregado, que o estagiário luta para pagar a faculdade, ou que um gerente lida com luto não é “invadir a vida pessoal”.
É compreender que a vida atravessa o trabalho, e ignorar isso custa caro para a produtividade, a confiança e a retenção de talentos.


E agora, líder?

Depois de anos de prática e convivendo com gestores de diferentes áreas, cheguei a uma conclusão simples:

“Liderar é fazer as pessoas se sentirem vistas. Isso vale mais do que qualquer plano de metas.”

O verdadeiro legado da liderança não é apenas eficiência técnica, mas equipes plenamente engajadas, conectadas e com propósito.

E o melhor: isso não exige mais orçamento, mas sim mais presença, escuta e intenção.


Seu próximo passo

Agora, a reflexão é sua:

  • Seu time se sente visto ou apenas cobrado?
  • Você tem reconhecido tanto os esforços quanto os resultados?
  • Está disposto a ajustar a forma de liderar para abrir espaço para o humano no jurídico?

💡 Desafio prático: nesta semana, escolha uma pessoa da sua equipe e:

  1. Observe um comportamento que mereça reconhecimento.
  2. Reconheça de forma genuína, destacando o valor que isso trouxe ao time.
  3. Pergunte: “O que posso fazer para apoiar ainda mais o seu desenvolvimento?”

Pequenos gestos constroem grandes culturas.


👉 E você, vai escolher metas ou pessoas?


👉 Que tal compartilhar: qual foi a atitude de um líder que fez você se sentir visto e valorizado?

Consuelo Prates é advogada, especialista em gestão jurídica de pessoas, com atuação em liderança inclusiva e humanizada. Possui mais de 17 anos de experiência em gestão estratégica, desenvolvimento de talentos e fortalecimento de equipes em ambientes de alta complexidade. Como líder e ativista pela inclusão, acredita que a verdadeira gestão jurídica vai além de resultados: ela nasce da capacidade de ouvir, reconhecer e desenvolver pessoas, construindo times mais engajados, produtivos e conectados a um propósito.

Acompanhe nas redes

Instagram

LinkedIn

Deixe um comentário